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10/3/10
 
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Pesquisa personalizada


Economia - Crise derrubará PIB na OCDE em 3,1 pontos percentuais

Paris - A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) de seus países-membros deve cair 3,1 pontos percentuais no longo prazo ainda como consequência da crise econômica.


Esta é uma das principais conclusões do relatório anual da OCDE, publicado hoje, sobre a supervisão das reformas estruturais realizadas por seus membros e a repercussão sobre seu crescimento.


Segundo os autores do estudo, nos 30 Estados da organização - que cresceram a um ritmo médio de 2% a 2,25% ao ano nos sete anos que precederam a crise -, o avanço vai ficar limitado a quase 1,75% no longo prazo. Em 2009, houve recessão de 4%.


A OCDE destaca que a diminuição do potencial de crescimento vai estar dividida de forma muito desigual entre seus membros. No final da fila, bem atrás dos demais, aparecem Irlanda, com queda de 11,8 pontos no PIB, e Espanha, com retrocesso de 10,6 pontos.


Em ambos os casos, esse diminuição da capacidade de crescimento econômico se deverá essencialmente ao efeito da perda de empregos, que diminuirá o PIB em 9,8 pontos percentuais na Irlanda e em 8,4 pontos na Espanha - a média na OCDE será de 1,1 pontos.


Segundo a organização, os efeitos da crise sobre o emprego na Irlanda e Espanha incluem 'uma substancial redução da força de trabalho resultante principalmente' de uma mudança de tendência na chegada de imigrantes.


O outro fator responsável pela baixa do potencial de crescimento será o aumento dos custos de capital, derivados da crise de confiança causada pela explosão da bolha do crédito, o que aumentou a percepção de riscos.


Nesse caso, a redução de expectativas para Espanha (2,1 pontos a menos no PIB) e Irlanda (-2) se situa na média da OCDE (-2).


Os países relativamente menos afetados serão Japão (-2,1 pontos), Estados Unidos (-2,4), Canadá (-2,4) e Nova Zelândia (-2,4).


A OCDE considera em seu relatório que os países-membros conseguiram evitar os erros cometidos em crise anteriores, como o uso de severas medidas protecionistas.


Entretanto, isso não vai evitar que 'a recessão deixe profundas feridas que serão visíveis nos próximos anos', disse o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan.


G1

Economia - PIB italiano é revisto para baixo, na maior queda em 40 anos

Economia do país teve contração de 5,1% em 2009. No quarto trimestre, a queda foi revisada para 0,3%.


A economia da Itália sofreu contração de 5,1% em 2009, o pior número desde 1971, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (9) pelo Instituto Nacional de Estatística italiano (Istat). O dado revisa o divulgado anteriormente, que apontava queda de 4,9% no Produto Interno Bruto (PIB).

Na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2009, a queda foi revisada para 0,3%, mais acentuada que o recuo de 0,2% apontado na divulgação preliminar. Em relação a igual período do ano anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3% - a leitura anterior indicava recuo de 2,8%.

Tanto as exportações como a demanda doméstica mostraram-se fracas, segundo a agência. O PIB do terceiro trimestre também foi revisto, para expansão de 0,5% sobre o segundo e recuo de 4,8% ante o ano anterior, contra leitura preliminar de, respectivamente, alta de 0,6% e queda de 4,6%.

O Istat explica que o quarto trimestre de 2009 teve dois dias de trabalho a menos do que nos três meses anteriores e um a mais frente ao mesmo período de 2008.

Em termos conjunturais, as importações de bens e serviços na Itália aumentaram 3,2% no quarto trimestre de 2009, enquanto o total dos recursos, entendido como a soma do PIB e dessas importações, cresceu 0,4%. As exportações italianas aumentaram 0,1% no quarto trimestre de 2009, segundo o Istat.



G1

Política - CPI da Bancoop será criada em SP

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), assinou ontem documento para instalação da CPI da Bancoop. A comissão, requerida em outubro de 2008 pelo deputado Samuel Moreira, líder do PSDB na Casa, investigará denúncias sobre esquema de desvio de dinheiro da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) para campanhas eleitorais do PT.

A CPI será criada a partir da publicação do documento assinado por Munhoz no Diário Oficial de hoje. Líderes dos partidos na Assembleia paulista terão 15 dias para indicar seus representantes na comissão. O grupo será formado pelo princípio da proporcionalidade. O proponente da CPI, Samuel Moreira, deve presidi-la. Depois das definições será marcada a primeira reunião.

Apesar do caso Bancoop ter voltado ao noticiário nesta semana, a denúncia de desvio de dinheiro para a campanha do PT chegou ao gabinete do deputado Samuel Moreira em junho de 2008 e, em outubro do mesmo ano, parlamentares tucanos já haviam colhido 35 assinaturas, o suficiente para a instalação da CPI. Desde então, o requerimento aguardava uma data na fila de comissões propostas na Assembleia.

Uma das primeiras providências dos tucanos depois de composta a CPI será convocar o atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que presidiu a Bancoop até fevereiro. Desde as primeiras denúncias, em 2008, ele teria sido convidado duas vezes a dar explicações na Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor da Assembleia, mas não compareceu. O desvio para financiamento de campanhas do PT pode ter chegado a R$ 100 milhões, segundo o promotor José Carlos Blat, do Ministério Público paulista. Blat pediu na sexta-feira a quebra de sigilo bancário e fiscal de Vaccari Neto.


Correio do Povo

Política - PF desmente mulher de governador

Em sua primeira entrevista após a prisão do marido, Flávia Arruda - mulher do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda - disse ontem que as imagens dele recebendo dinheiro do ex-secretário Durval Barbosa, delator do esquema de propina, não a espantam. Para ela, trata-se de prática comum no meio político. 'Sei que todo mundo recebe e que a política no Brasil é assim. As pessoas precisam receber dinheiro para a campanha', justificou, depois de visitar o marido na Polícia Federal (PF).

Flávia alegou que Arruda não concluiu o pós-operatório de uma cirurgia ortopédica feita em novembro e sofre de edema na perna direita. A fisioterapia diária foi interrompida, o que estaria contribuindo para suposta piora. Chorando, ela afirmou que o marido não anda há dois dias e que os médicos tiveram de aumentar a dose de antidepressivos. Disse também que a filha caçula, de 1 ano, está com febre e, para compensar a falta do pai, tem calçado seus sapatos. Uma autorização judicial para que a menina visite Arruda teria sido obtida pela família, o que foi negado pelo STJ. A PF informou que o governador é examinado duas vezes por dia e que não foram constatados os problemas de saúde apontados por Flávia.


Correio do Povo

Política - PV gaúcho define candidato em pré-convenção

Os quatro postulantes do PV à indicação do partido para disputar o pleito ao Palácio Piratini, Luiz Carlos Moreira, Nélson Vasconcelos, Montserrat Martins e Luiz Carlos Evangelista, participarão de um debate no sábado, no Partenon Tênis Clube, durante a pré-convenção da sigla. Na ocasião, um deles será eleito para concorrer.




Correio do Povo

Economia - Exportações chinesas crescem acima do esperado em fevereiro

Embarques do país são um bom termômetro de seus principais mercados, que são Estados Unidos, Europa e Ásia.


Pequin - As exportações chinesas cresceram acima do esperado em fevereiro e registraram a mais rápida expansão dos últimos três anos, em um forte indício de recuperação da economia global. A China é desde fevereiro o maior exportador do mundo e seus embarques são um bom termômetro da atividade produtiva em outros países, especialmente de seus principais mercados, que são Estados Unidos, Europa e Ásia.

Os dados do comércio exterior divulgados ontem apontam ainda para a consolidação do crescimento chinês, com o aumento de 45% das importações. O percentual é inferior ao espetacular aumento de 85,5% de janeiro, mas está dentro das previsões dos analistas. A alta das exportações foi de 46%, mais que o dobro dos 21% registrados no mês anterior.

'As estatísticas do comércio mostram uma contínua e forte recuperação da China e do mundo', escreveu o economista-chefe do Standard Chartered na China, Stephen Green.

Segundo ele, os maiores índices de crescimento ocorreram nos embarques para Ásia (com exceção do Japão), América Latina, África e Oriente Médio, o que reflete a reação dos países emergentes. A continuidade de sua recuperação em 2010 terá impacto positivo sobre as exportações da China, ressaltou o economista.

Wang Tao, economista-chefe do UBS na China, observou que as exportações para Estados Unidos, União Européia e Japão responderam por metade da expansão de fevereiro e começam a se aproximar do ritmo de crescimento dos embarques para os países emergentes.

Sua expectativa é que as exportações chinesas cresçam entre 25% e 40% nos próximos meses, desacelerem no segundo semestre e fechem o ano com alta de 15% a 20%. Em sua avaliação, as exportações líquidas deverão contribuir para 0,5% do crescimento do PIB em 2010, que a maioria dos analistas acredita que será de 9% a 10%.

A China diminuiu o ritmo de importação de minério de ferro em fevereiro em relação aos patamares do segundo semestre de 2009 _o produto é o principal item da pauta de exportação do Brasil para a China. Ainda assim, as compras tiveram alta de 6%, para 49 milhões de toneladas, o que poderá dar munição às mineradoras nas negociações de preços com os chineses para 2010.

Na avaliação de Green, os números de fevereiro indicam que a demanda das siderúrgicas da China por minério 'continua em alta'. O produto é a principal matéria-prima para fabricação de aço.




Estadão - Economia & Negócios

Política - Mulher de Arruda fala dos vídeos

Ao levar o almoço para o marido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Flávia Arruda, mulher do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, manifestou-se pela primeira sobre os vídeos em que ele aparece recebendo dinheiro. Para Flávia, as imagens não surpreendem.

– Não me surpreende em nada porque eu sei que todo mundo recebe e que a política no Brasil é assim. As pessoas precisam receber dinheiro para a campanha – disse.

Flávia afirmou que as imagens foram gravadas antes de seu casamento, durante a pré-campanha dele ao governo do DF. Arruda, que foi preso em 11 de fevereiro, teve na segunda-feira sua primeira consulta médica. Por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele receberá a partir de agora o acompanhamento de seu médico particular. Por conta das condições de saúde do governador, a defesa intensificou a pressão para que ele tenha direito à prisão domiciliar.





Zero Hora

Política - Vaccari tenta evitar bloqueio de bens

A defesa do tesoureiro do PT e ex-presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, entrou ontem com pedido no Departamento de Inquéritos Policiais, órgão do poder Judiciário, para impedir o bloqueio dos bens da entidade. O bloqueio foi solicitado na semana passada pelo promotor José Carlos Blat, da 1 Promotoria Criminal da Capital, que investiga denúncias de um esquema de desvio de dinheiro da cooperativa para campanhas eleitorais do PT.

O advogado de Vaccari, o criminalista Luiz Flávio D``Urso, disse que o bloqueio das contas da instituição impediria o cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre a Bancoop e o Ministério Público paulista em 2009. O documento estabelece regras e prazos para a conclusão de obras e entrega de imóveis para os cooperados.


Correio do Povo

TRE-RS confirma cassação de José Sperotto

O Pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou ontem, por unanimidade, o mandato de deputado estadual José Sperotto (PTB) por infidelidade partidária. O desembargador Luiz Felipe Silveira Difini, relator do caso, já havia afastado Sperotto das funções parlamentares em outubro do ano passado. Eleito pelo Dem, ele migrou para o PTB em setembro de 2009. A vaga de titular na Assembleia Legislativa fica com Francisco Pinho (Dem).


Correio do Povo

Política - Alencar diz que escândalo não atinge Dilma

O vice-presidente da República, José Alencar, disse ontem acreditar que o envolvimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no suposto desvio de recursos da Bancoop não deve prejudicar a candidatura da ministra Dilma Rousseff à sucessão presidencial. O vice defendeu que a denúncia seja objeto de 'apuração rigorosa', mas ponderou que o ônus da prova cabe ao acusador - neste caso, a Promotoria Criminal do Ministério Público de São Paulo.


Correio do Povo

Notícia internacional - Atentado a ONG cristã mata 6 no Paquistão

MANSEHRA, Paquistão - Supostos militantes islâmicos atacaram na quarta-feira com tiros e com uma bomba a sede paquistanesa de uma ONG cristã norte-americana, matando seis de seus integrantes, segundo fontes policiais e da entidade.


O incidente no escritório da ONG World Vision no distrito de Mansehra, 65 quilômetros ao norte de Islamabad, ocorreu por volta de 9h (1h em Brasília), de acordo com policiais.


'Eles entraram no prédio, acionaram uma bomba e então abriram fogo', disse o policial Sajid Khan por telefone à Reuters, de Mansehra.


A World Vision afirmou que os mortos eram funcionários paquistaneses. A ONG decidiu suspender suas operações no país.


Em nota, a World Vision afirmou que sete funcionários ficaram feridos e um está desaparecido. A entidade informou que todo o trabalho de ajuda humanitária e ao desenvolvimento no país era realizado por paquistaneses.


'Aqueles que matam trabalhadores humanitários devem se lembrar de que estão não só matando residentes do seu próprio país, mas também pessoas que tentam melhorar as vidas das vítimas da pobreza e da injustiça', disse a nota.


A cidade de Mansehra recebe muita ajuda humanitária desde que um terremoto matou 73 mil pessoas ali, em outubro de 2005. Em geral, a região é pacífica, embora eventualmente ocorram incidentes violentos.


Em 2008, militantes islâmicos atacaram um escritório da entidade Plan International na cidade de Mansehra, matando quatro funcionários locais.


O distrito fica a oeste da região de Swat, onde o Exército lançou há um ano uma ofensiva contra o Taliban paquistanês.


Khan disse que a polícia trocou tiros com os agressores e está à caça deles.


A ONU e ONGs ocasionalmente se veem forçadas a limitar suas operações e os deslocamentos de funcionários estrangeiros por questões de segurança, mas muitas agências humanitárias continuam operando no Paquistão.


Eventualmente há hostilidade na zona rural de Mansehra, mais conservadora, contra presença de funcionárias mulheres ou contra projetos voltados para mulheres.


A World Vision disse não ter recebido ameaças antes do atentado, e Khan afirmou que a ONG não tinha um esquema de segurança adequado.


'Eles tinham só um guarda que não portava armas', afirmou.






G1

Política - Yeda muda regras para precatórios

Piratini disponibilizou R$ 210 milhões para honrar dívidas judiciais, mas não estabeleceu data para retomada dos pagamentos

Diante de uma dívida superior a R$ 4 bilhões em precatórios, a governadora Yeda Crusius anunciou ontem que o Executivo destinará cerca de R$ 210 milhões para pagamentos neste ano. No entanto, Estado e Judiciário não souberam informar quando os pagamentos serão retomados.

Por determinação da Emenda Constitucional 62 aprovada no Congresso, o Estado passará a destinar 1,5% da Receita Corrente Líquida por mês aos precatórios.

– O que muda é que o governo do Estado tem a obrigação de depositar 1,5% da sua receita líquida em duas contas. O que muda, na prática, é quase nada para o Rio Grande do Sul – afirmou Yeda.

Serão abertas duas contas bancárias em nome do Tribunal de Justiça. Na primeira, serão depositados mensalmente 50% dos recursos para pagamentos de precatórios em ordem cronológica, com prioridade para idosos e portadores de doenças graves. Na outra conta, serão destinados os outros 50%, que poderão ser pagos em ordem crescente – do menor para o maior valor –, por meio de conciliação ou leilão.

O próximo passo é a unificação das listas dos precatórios dos tribunais de Justiça, Regional Federal e Regional do Trabalho para que se possa estabelecer uma ordem cronológica única. Como idosos e portadores de doenças graves terão preferência, as Cortes terão de fazer uma análise para identificar quem terá prioridade na fila.

Depois de ser comunicado da decisão do governo, o coordenador da Central de Conciliação, Cláudio Martinewski, não poupou críticas às administrações anteriores e defendeu a atuação do Judiciário:

– Por 10 anos, o Estado nada cumpriu com sua obrigação com relação aos precatórios.

Martinewski afirmou ainda o setor de precatórios da Justiça estadual precisará convocar mais seis servidores por conta da nova demanda de trabalho.

Entenda as novas medidas
Abaixo, tire suas dúvidas sobre a proposta do Piratini para pagar os precatórios do Estado:
- O que são precatórios?
São créditos que credores obtêm junto ao governo, reconhecidos pela Justiça. Formam-se a partir de processos judiciais em que o Estado é acionado e cuja sentença é favorável ao credor, sem mais possibilidades de recursos.
- Ocorrerão mudanças no pagamento dos precatórios?
Sim. A governadora Yeda Crusius assinou um decreto estabelecendo 1,5% da Receita Corrente Líquida por mês para o pagamento de precatórios. Neste ano, o governo projeta destinar R$ 210 milhões – cerca de 20 milhões por mês.
- Qual o motivo?
O governo atende à Emenda Constitucional 62. Segundo Yeda, o Estado teria duas opções: pagar a dívida que hoje supera os R$ 4 bilhões em 15 anos ou vincular o pagamento à Receita Corrente Líquida. Segundo o diretor do Tesouro, Jorge Luis Tonetto, a primeira opção traz incerteza sobre o fluxo anual e poderia inviabilizar uma futura administração. Se todos os anos o Estado destinar R$ 250 milhões, a dívida deverá ser quitada em 20 anos.
- O que isso significa na prática?
O primeiro passo é a unificação das listas dos precatórios dos tribunais de Justiça, Regional Federal e Regional do Trabalho para estabelecer uma ordem cronológica única.
- Quem terá prioridade para receber?
Todos os meses, a Secretaria da Fazenda destinará 50% do valor para o pagamento dos precatórios em ordem cronológica, com prioridade para idosos e portadores de doenças graves. Essas pessoas poderão receber até R$ 61,2 mil. Quem tiver créditos maiores, terá de entrar novamente na fila. A outra parte poderá ser paga de forma crescente (do menor para o maior valor), por meio de conciliação (existente no Estado) ou leilão. A conciliação e o leilão ainda precisam de regulamentação. O governo não definiu por qual ou quais modalidades irá optar.
- Quando o Estado começará a pagar os precatórios?
Tanto o Estado quanto a Justiça não têm previsão. A primeira parcela será depositada pelo Estado até o dia 31 de março. No entanto, o pagamento só poderá ser feito quando a lista unificada dos tribunais estiver pronta. Os tribunais ainda precisarão analisar os precatórios que têm preferência na fila. O dinheiro permanecerá em duas contas administradas pelo Judiciário gaúcho.
- Essa medida irá acelerar o pagamento de precatórios?
Não necessariamente. Conforme o secretário do Planejamento, Mateus Bandeira, depende da velocidade de processamento pela Justiça e da velocidade das conciliações.

- Se o governo arrecadar menos, menos recursos serão destinados para o pagamento dos precatórios?
Sim, porque o pagamento dos precatórios estará vinculado à Receita Corrente Líquida. Para 2010, o Estado prevê aumento da receita.




Zero Hora

Política - Vice admite vontade de concorrer ao Senado

O vice-presidente José Alencar assumiu, na noite de ontem, estar disposto a disputar uma vaga no Senado por Minas Gerais. O mineiro, senador de 1999 a 2002, afirmou que a agenda no Legislativo é mais leve que no Executivo. Ele disse ter mais condições de voltar ao Senado do que ser governador de Minas. 'Tenho saudade do Senado. O Senado é uma casa que oferece oportunidade para a gente levar alguma contribuição para o país.'


Correio do Povo


Política - No Rio, Lula diz que pobres também devem ter carros

Presidente disse que nem metrô `vai tirar apetite de se ter o próprio carro`. Em visita a complexo petroquímico, ele exaltou desempenho do governo.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (8) que quer “que pobres também tenham carros”, ao comentar o recorde de produção da indústria automobilística. A declaração foi feita durante evento de assinatura de contratos para implementação de obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência

O presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff no Comperj (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência)

  • Aspas

    Eu quero que os pobres também tenham carros. Então, nós, prefeitos e governadores temos que construir mais ruas. Nós temos que fazer metrô, temos que fazer o trem, mas temos que parar com essa ilusão de que fazendo metrô vai tirar o apetite de um pobre ter um carro `

“Eu quero que os pobres também tenham carros. Então, nós, prefeitos e governadores temos que construir mais ruas. Nós temos que fazer metrô, temos que fazer o trem, mas temos que parar com essa ilusão de que fazendo metrô vai tirar o apetite de um pobre ter um carro”, afirmou, levantando aplausos de operários que trabalham no complexo e lotaram o espaço preparado para o evento.


“Aqueles que pensam isso têm o seu próprio carro. Eles querem que os pobres deixem a rua livre para eles. Nós queremos ter o direito, nem se for para quando chegar no sábado, de colocar o carro na porta de casa e ficar a família inteira lavando a calota e passando a mão no carro`, completou, arrancando gargalhadas da plateia.


Aqueles que pensam isso têm o seu próprio carro. Eles querem que os pobres deixem a rua livre para eles. Nós queremos ter o direito, nem se for para quando chegar no sábado, de colocar o carro na porta de casa e ficar a família inteira lavando a calota e passando a mão no carro

Lula lembrou que estimulou o consumo ao ir para a televisão no dia 22 de dezembro por não acreditar que a crise mundial afetaria tanto o Brasil. `Eu tive a coragem de ir para a TV pedir para o povo consumir. Disse que a crise iria chegar por último e iria sair primeiro. Aliás, eu disse mais, que a crise era uma marolinha aqui. Até hoje os Estados Unidos e a Europa não resolveram o seu problema. Lá, eles perderam 7 milhões de trabalhadores. E nós, aqui no Brasil, criamos mais de 950 mil postos de trabalho. Só em janeiro foram 181 mil novos empregos”, disse.

O presidente ainda destacou a decisão de construir novas refinarias após a descoberta de petróleo na camada pré-sal. “Decidimos fazer uma refinaria no Maranhão de 600 mil barris/dia para exportar, outra no Ceará, de 300 mil barrias/dia, e outra no Rio Grande do Norte, menor. Então, na verdade, nós decidimos fazer essas quatro refinarias e recuperar quase todas as outras. São bilhões de dólares de investimentos, vamos ultrapassar os US$ 60 bilhões de investimentos em refinarias”, afirmou.


Exaltando o desempenho de seu governo, Lula disse que os resultados incomodam muita gente. “Isso incomoda aqueles que diziam que a gente não tinha mais condição de construir mais refinarias no Brasil. Ficam incomodados aqueles que diziam que a gente não poderia mais construir navios ou plataformas no Brasil e tinham levado à falência a indústria naval brasileira, que de 50 mil estava com apenas 1.800 trabalhadores”, declarou.


No evento da assinatura de contratos de implementação de obras do Comperj estavam os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Edison Lobão (Minas e Energia), Carlos Minc (Meio Ambiente), Márcio Fortes (Cidades).

G1

Editorial - Descrença na segurança

Poucos dias depois da morte do ex-secretário da Saúde Eliseu Santos, numa ação criminosa, o vereador porto-alegrense Valter Nagelstein (PMDB) reagiu a tiros numa suposta tentativa de assalto. O curioso é que, mesmo sendo um homem público, um representante da sociedade na Câmara Municipal, o parlamentar preferiu não registrar a ocorrência, argumentando que esse tipo de iniciativa só serve para fins de estatística. Trata-se de um mau exemplo, pois muitos cidadãos já estão fazendo o mesmo, reafirmando uma preocupante descrença no serviço de segurança decorrente da burocracia, da má vontade de alguns servidores e do tempo que as pessoas costumam perder para serem atendidas.

São compreensíveis as alegaçõesde parcela da população que, depois de se transformar em vítima nas mãos de criminosos estimulados a agir pelas falhas na segurança pública, hesita em fazer o registro da ocorrência. Em períodos nos quais a criminalidade se intensifica, é comum o cidadão perder boa parte da noite ou mesmo ter que faltar ao trabalho para conseguir oficializar uma queixa policial. E, quando consegue, muitas vezes acaba não tendo qualquer retorno posterior sobre o andamento do processo, que passa de fato a fazer parte das estatísticas – inclusive as de casos policiais não investigados.

A rapidez e a eficiência dos organismos de segurança não deveriam se constituir em exceção, como a constatada nos casos envolvendo vítimas de projeção na sociedade. Segurança pública é uma área de competência do Estado e, por se constituir em prioridade, precisa do máximo de atenção para propiciar os resultados necessários.

O papel que cabe à população nessa área é o de fazer sua parte, o que implica no mínimo registrar todas as ocorrências, até mesmo para facilitar a atuação dos órgãos de segurança, apontando os crimes mais comuns e os locais de maior incidência. Obviamente, as autoridades policiais precisam se mostrar em condições de atender a esses casos e, é claro, de solucioná-los.

Zero Hora, edição de 9 de março de 2010.

Editorial - O peso do Custo Brasil

Estudo inédito da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos dimensionou as barreiras enfrentadas historicamente pelas empresas em consequência do chamado Custo Brasil. Trata-se da análise de um conjunto de fatores que tiram competitividade da indústria há décadas e que tiveram seus efeitos amplificados nos últimos anos pelo aumento da competição internacional. O dado mais alarmante da análise aponta que, no confronto com empresas dos Estados Unidos e da Alemanha, o setor produtivo brasileiro tem custos 36,27% mais altos.

Conspiram contra quem produz os impostos, os altos juros, a burocracia, o excesso de regulamentações, a falta de investimentos em infraestrutura, os custos da energia e de insumos básicos e os encargos sociais e trabalhistas. Empreendedores nacionais e estrangeiros com operações no Brasil se defrontam há muito com esses entraves. Mas pela primeira vez, ao analisar oito dos mais de 30 itens do Custo Brasil, tem-se com clareza um painel do peso de cada um para uma comparação com a situação de duas potências mundiais.

A conclusão óbvia do estudo é que um país sempre citado entre os candidatos a potência mundial não tem como enfrentar a forte competição sem fronteiras se não superar questões decisivas para a criação de um ambiente propício ao investimento. E não se trata, como observam os técnicos da Abimaq envolvidos com o estudo, de confrontar o cenário brasileiro com o de competidores mais agressivos, como a China, onde os custos de produção são bem mais baixos, em consequência das conhecidas particularidades da ascensão daquele país no cenário internacional.

A análise informa que esse conjunto de obstáculos estruturais não representa desestímulo apenas às empresas nacionais, mas a todos os que já investiram ou pretendem investir no Brasil. Tanto que a Abimaq cita o exemplo de grupos com tradição na indústria brasileira de máquinas que, por pressão de custos, optaram por importar produtos acabados, apenas gravando suas marcas em equipamentos estrangeiros. Para sobreviver, empresas respeitadas adotam o pragmatismo, o que resulta em abalo na autoestima de quem gostaria de produzir e gerar emprego e renda.

O Custo Brasil é a expressão da omissão do governo e dos legisladores, que adiam reformas, ampliam ao invés de reduzir a carga tributária e são indiferentes às aberrações da burocracia. Para desfrutar da recuperação da economia e continuar almejando posição mais privilegiada no contexto mundial, o país não pode desdenhar as conclusões incontestáveis de estudos como o realizado pela Abimaq. É incompreensível que, num momento em que as empresas vêm se destacando pelo dinamismo, o setor público e os legislativos, em todos os níveis, continuem em descompasso com empreendedores que investem em gestão, na qualidade de seus produtos e na complexa prospecção de novos mercados, para enfrentar competidores cada vez mais fortes.

Governo e legisladores, omissos diante do Custo Brasil, estão em descompasso com o dinamismo das empresas brasileiras, num mercado mundial cada vez mais competitivo.

Multimídia


Zero Hora, edição de 9 de março de 2010.

Economia - Balança soma mais de US$ 500 milhões

Brasília - A balança comercial brasileira registrou superávit de 500 milhões de dólares na primeira semana de março. Em cinco dias úteis, as exportações somaram 3,379 bilhões e as importações, 2,879 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento. No período, a média diária exportada foi de 675,8 milhões, uma alta de 25,9% sobre a média apurada em março de 2009. As importações registraram 575,8 milhões, um incremento de 26%.

Correio do Povo

IGP-DI tem maior taxa desde julho de 2008

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou de alta de 1,01% em janeiro para 1,09% em fevereiro - maior taxa registrada desde julho de 2008, quando a elevação foi de 1,12%. A taxa acumulada do IGP-DI é usada como indexadora das dívidas dos estados com a União. Com o resultado divulgado ontem, o indicador acumula variações de 2,11% no ano e de 0,77% em 12 meses.

Correio do Povo

Economia - Receita já contabilizou mais de 1 milhão de declarações

A Receita Federal informou que já havia recebido, até as 10h de ontem, mais de 1 milhão de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF 2010). A expectativa é de que em torno de 24 milhões de contribuintes irão prestar contas à Receita este ano. O prazo para a entrega da declaração se encerra às 24h do próximo dia 30 de abril. Quem não a tiver entregue até lá, pagará multa no valor de R$ 165,74. O programa da declaração poderá ser baixado do site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br).

Correio do Povo

Colapso penitenciário, por Jose Francisco Lopes da Silva*

A crise permanente e crescente que o sistema prisional apresenta não é novidade, tampouco surpresa, para todos nós.

Um sistema que vem sendo obra do descaso há longo tempo e protagonista de discursos, projetos, debates e promessas não pode ter outra definição senão a de um colapso penitenciário.

Não é só aqui no Rio Grande do Sul que essa triste realidade se apresenta. Em todo o Brasil, esse problema tem sido alvo de muitas críticas. Inclusive, vem piorando com a superlotação e a total falta de reabilitação dos apenados.

No Rio Grande do Sul, temos um recorde de fugas nos regimes aberto e semiaberto, cada vez mais crescente e desanimador, pois não se tem notícias de mudanças radicais e imediatas para conter este problema de forma efetiva, temos, tão somente, notícias de projetos que não partem da teoria para a prática.

A ousadia, por parte dos poderes, deveria fazer parte dos longos e saturados processos de fiscalizações, constatações de problemas e projetos para soluções.

Ousar implantando trabalho e produtividade nas prisões, ousar aumentando o número de servidores, ousar criando centros de apoio ao egresso com qualidade e atuantes de acordo com nossa realidade social seriam grandes passos enquanto as “obras” não ficam prontas para atender a demanda de vagas, considerado o maior problema pelo poder público.

Desenvolver parcerias com o terceiro setor e o setor privado gera soluções de trabalho e produção dentro das prisões e, inclusive, despertam talentos que estão adormecidos pela ociosidade e descaso nas rotinas prisionais.

A falta de investimento em trabalho e educação nas prisões é um problema que vai se tornando histórico e cultural e isto vem se traduzindo em fugas, reincidência, aumento da criminalidade e violência. O que é preciso para convencer o governo de que nenhum sistema prisional poderá efetivar uma ressocialização adequada sem investir na pessoa do apenado com trabalho e educação? Qual a dificuldade que impede de isto ocorrer?

Chega de se lamentar com todos os problemas que estamos cansados de ver no sistema penitenciário. Partir para a implantação de pequenas ações voltadas ao combate à ociosidade e investir na produtividade e educação é a alternativa, imediata e certa, para diminuir a reincidência e fugas, enquanto os grandes projetos e grandes ações oficialmente programadas não entrem em prática.

O Rio Grande do Sul deveria ser um exemplo de administração penitenciária para o país, se colocasse nossa tradição e feitos políticos na frente de cansativos debates e estudos de que o problema carcerário vem sendo vítima.


*Estudante de Direito e ex-apenado

Zero Hora, edição de 9 de março de 2010.

Economia - Fim da assinatura básica em debate

Michel Temer pretende retomar a discussão do projeto
Crédito: LUIZ CRUVINEL / CÂMARA / CP



Brasília - O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), quer retomar a discussão do projeto de lei que propõe o fim da cobrança da assinatura básica da telefonia fixa. Ele determinou a instalação de uma Comissão Especial para analisar o tema. A proposta, que tramita na Casa há nove anos, aguarda, desde março de 2008, a instalação dessa comissão, mas até hoje nem todos os partidos indicaram seus representantes.

A proposta, de autoria do deputado Marcelo Teixeira (PMDB-CE), chegou a ser aprovada em 2005 pela comissão de Defesa do Consumidor, e encaminhada à Comissão de Desenvolvimento Econômico. No teleatendimento da Câmara o tema foi alvo de mais de 1 milhão de ligações, mas o projeto não avançou. As associações de defesa do consumidor entendem que o cliente de telefonia fixa deve pagar só o que utiliza. Já para as empresas, a assinatura é necessária para garantir a prestação dos serviços e, se for extinta, teria que ser compensada pelo aumento no preço das ligações.

Correio do Povo

Economia - Mulheres conquistam novos postos

Pesquisa de Emprego e Desemprego revela que há espaço para participação feminina
Crédito: CRISTIANO ESTRELA



Embora persista a desigualdade de rendimento entre homens e mulheres, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) sobre inserção feminina no mercado de trabalho da Capital divulgada ontem - Dia Internacional da Mulher - mostra que entre 2000 e 2009 elas ampliaram a participação. No entanto, o desemprego ainda é maior entre as mulheres. Segundo o coordenador da pesquisa pelo Dieese, Eduardo Schneider, `a mulher saiu da inatividade, entrou na população economicamente ativa e fica desempregada`. Ele reforça, porém, que ainda há tendência de aumento da participação efetiva da mulher. `Há espaço para isso.`

O contingente de ocupados aumentou em 112 mil trabalhadores entre 2000 e 2009, totalizando 688 mil ocupados no ano passado. Deste total, 62 mil novas vagas ficaram com as mulheres e 50 mil com os homens, o que revela pequeno crescimento da presença feminina. A parcela de mulheres entre os ocupados ampliou-se de 46,4% em 2000 para 47,8% em 2009. A participação aumentou em quase todas as atividades, ficando mais evidenciada nos setores de serviços e de comércio. Já o serviço doméstico registrou redução.

A desigualdade de rendimentos continua presente. Em 2009, o rendimento médio real das mulheres foi de R$ 1.329,00 e dos homens, R$ 1.735,00. A pesquisa evidenciou ainda a dupla discriminação contra as mulheres negras. Elas encontram maior dificuldade para ingressar no mercado. Em 2009, 15,2% das mulheres negras estavam desempregadas contra 11% dos homens negros, 10,7% das mulheres não negras e 7,3% dos homens não negros.

Correio do Povo

Economia - Impacto da lista de retaliação soma US$ 591 milhões

Carlos Cozendey, do Itamaraty, explica a ação
Crédito: ANTÔNio cruz / abr / cp



Brasília - O diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Carlos Cozendey, disse que a lista publicada ontem para retaliar a importação de 102 itens dos EUA deve ter um impacto comercial de 591 milhões de dólares. Segundo ele, o valor é estimado com base no impacto do aumento da tarifa no valor final do produto. Esse valor é maior que os 560 milhões autorizados pela Organização Mundial do Comércio para o setor de bens.

Na lista, o setor de alimentos - como leite em pó, avelãs, nozes, batatas preparadas ou conservadas, óleos de soja, catchup, gomas de mascar - é o que tem o maior número de itens que sofrerão retaliação. Depois vem o setor de aparelhos eletrônicos - celulares, leitoras de códigos de barra, alto-falantes e fones de ouvido. Também foram incluídos na lista cinco tipos de automóveis, 11 produtos agrícolas, 14 produtos de higiene e cosméticos, seis produtos farmacêuticos e seis médico-hospitalares.

Correio do Povo

Saúde - Vacinação contra a gripe A ainda gera dúvidas

Profissionais da saúde de consultórios particulares não fazem parte do grupo de risco

Houve confusão em alguns postos de saúde no primeiro dia de vacinação contra a gripe A, iniciada nessa segunda, dia 8. Profissionais da saúde que trabalham em consultórios particulares buscaram o imunizante na rede pública e foram informados de que não fazem parte do grupo de risco. O Ministério da Saúde esclareceu que apenas quem trabalha no atendimento a doentes ou a pessoas com suspeita de contágio do vírus H1N1 receberão a vacina gratuitamente. Os demais devem procurar as clínicas privadas, que devem receber as doses contra o vírus pandêmico no final do mês.

O início da campanha de vacinação contra a gripe A revelou que mesmo entre trabalhadores da saúde ainda havia dúvidas sobre quem pode ser imunizado na rede pública.

Na primeira etapa da campanha, aberta na segunda em todo o país, profissionais de áreas médicas não contempladas no calendário montado pelo governo federal foram atrás das doses e se frustraram. A vacina, reforçou o Ministério da Saúde, é destinada apenas a quem trabalha na linha de frente de combate à epidemia.

Como as 113 milhões de doses adquiridas são insuficientes para atender a todos os brasileiros, a imunização foi limitada às populações mais vulneráveis e a grupos estratégicos. A primeira etapa, que vai até 19 de março, é destinada a 566 mil indígenas e a 1,9 milhões de trabalhadores de serviços de saúde. Depois, conforme um cronograma que se estende até maio, seguem-se grupos de risco como gestantes, crianças com menos de dois anos e portadores de doenças crônicas.

Entre os profissionais de saúde que tentaram se imunizar e não conseguiram, esteve uma oftalmologista de 31 anos de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Ela procurou uma unidade de saúde na manhã de segunda, identificou-se como médica e foi informada de que apenas os funcionários seriam imunizados.

– Havia um senhor na minha frente que se identificou como dentista e também não pôde se vacinar. Como ficam os outros profissionais? Fiquei decepcionada, porque atendo cerca de 30 pacientes por dia. Só fiquei mais tranquila porque estou grávida e vou receber a vacina – contou.

Doentes não precisam comprovar condição

A gerente da Vigilância Epidemiológica de Caxias do Sul (RS), Maria Ignez Bertelli, observou que os profissionais que podem ser vacinados na primeira etapa são apenas aqueles que atuam na atenção básica, nos serviços de média e alta complexidade e os que atuam na vigilância epidemiológica:

– Esses profissionais têm prioridade porque trabalharão diretamente no tratamento aos pacientes doentes ou com suspeita de contágio pela gripe A. Os que trabalham em consultórios privados e não atenderão diretamente casos da doença podem procurar a vacina na rede privada e seguir as orientações de higienização.

Mesmo não existindo vacina para todos, não será exigido que doentes crônicos e gestantes – incluídos no calendário – comprovem a sua condição. Vai valer a palavra.

Canal Rural

Vacina antissuperlotação, por Paulo de Argollo Mendes*

E se faltar álcool gel nas escolas estaduais? A suposição lembra um dos episódios que marcaram a epidemia da gripe A (H1N1) em 2009 e revelaram quanto itens singelos podem fazer a diferença no combate a uma doença que matou 209 pessoas no Estado. Muitos se erguerão para rebater, alegando que antes da nova gripe nunca havia se falado em uso do produto para prevenir infecção. E se falarmos da estrutura de saúde pública: médicos, demais profissionais, oferta de exames de raios X, postos abertos além do horário, emergências ampliadas e leitos para internação?

No auge da epidemia do ano passado, lembro que entre as primeiras teses para afugentar o pânico ante as mortes geradas pela moléstia era de que a gripe sazonal matava mais. As lições da gripe A (H1N1), portanto, vão além do mero bloqueio a uma eventual segunda onda. Não se pode contar apenas com vacinação para lidar com esta doença e com todas as demais associadas ao frio. Afinal, o inverno costuma ter data para começar e terminar.

Mais uma vez, nada se anuncia sobre medidas globais de ação ante a ameaça de enfermidades já conhecidas. A novidade imposta por uma pandemia, que recentemente chegou a ser questionada, é coisa do passado. Desde a primeira onda, fala-se que a segunda virá. A vacinação, que atingirá metade dos gaúchos e que começou ontem com a imunização de profissionais da saúde, é apenas uma das ferramentas de proteção. Quanto às demais, talvez mais decisivas ante o alcance da população, nada se ouviu falar até agora.

Uma delas é velha conhecida: ampliação da estrutura de atendimento. Se estamos com emergências superlotadas no verão, prefiro imaginar que algum gestor público já está com um plano pronto, em algum escaninho, e que o colocará em marcha até o fim de março. Há grande possibilidade de que nada disso ocorra no curto prazo. O que se tem visto é a abertura de vagas para médicos, por exemplo, em meio ao inverno, o que eleva a dificuldade de encontrar profissionais disponíveis para contratos emergenciais de três meses.

Depois do trauma da nova gripe, era de se esperar que a receita de ação contemplasse a garantia de medidas de reforço, como as listadas acima. Além das gripes, há as demais complicações respiratórias que fragilizam principalmente crianças e idosos. Assim como campanhas de conscientização nas escolas, nos bairros e vilas, no trânsito, nos locais com maior aglomeração etc.

O discurso é sempre o mesmo: as pessoas precisam se prevenir. Ora, se temos secretarias da Saúde nos municípios e no Estado e Ministério da Saúde, por que não se colocou em prática, no retorno às aulas, uma forte mobilização para que alunos pudessem desde já se precaver? Alguém observou em locais ou equipamentos públicos indicações sobre proteção para os próximos meses?

Pela ênfase dada exclusivamente à imunização, há risco de acomodação, a partir da crença geral de que a vacina seja blindagem total à doença. E não é. Muitos países até mesmo recuaram na aquisição de grandes quantidades de doses, ante a percepção de que o contágio não será em grau tão elevado. O comportamento verificado em países mais desenvolvidos pode também traduzir que suas políticas permanentes de saúde assegurem proteção natural a viroses oportunistas. O que estamos observando, mais uma vez, é a exacerbação do novo, que é a vacina, e a negligência do velho, que é montar a estrutura para garantir assistência em um Estado que sempre enfrentará adversidades no inverno. E nunca é demais perguntar: os estoques de álcool gel nas escolas estão em nível adequado?

*Presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) e da Federação Nacional dos Médicos (Fenam)

Zero Hora, edição de 9 de março de 2010.

Notícia internacional - Biden vai a Israel em nome da paz

Tel Aviv - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou a Israel na tarde desta segunda-feira, em visita que objetiva retomar o processo de paz entre israelenses e palestinos na região. Ele foi recebido no aeroporto de Tel Aviv pelo vice-primeiro-ministro israelense, Moshé Yaalon. Trata-se da mais alta autoridade americana a visitar o país e os territórios palestinos desde que Barack Obama assumiu a Presidência.

No domingo, dirigentes palestinos aceitaram, com reservas, retomar negociações indiretas por meio do emissário americano George Mitchell, como forma de reativar o processo de paz, suspenso desde a ofensiva israelense da Faixa de Gaza, no final de 2008. O anúncio do consentimento foi feito por Yasser Abed Rabbo, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), em entrevista à imprensa em Ramallah, na Cisjordânia.

Na manhã de ontem, o ministro israelense do Meio Ambiente, Gilad Erdan, anunciou a construção de 112 casas na colônia de Beitar Ilit, na região de Belém, ao Sul de Jerusalém. `No final do ano passado, o governo decidiu congelar as construções, mas esta decisão previa exceções em caso de problemas de segurança para as infraestruturas de obras iniciadas antes da suspensão`, explicou Erdan.

Na agenda de hoje, Biden se reunirá com dirigentes israelenses em Jerusalém e amanhã se encontrará com os responsáveis da Autoridade Nacional Palestina em Ramallah.

Correio do Povo

Notícia internacional - Sismos estão dentro da normalidade

Londres - Não há nada anormal com a série de devastadores terremotos ocorrida no início deste ano no Haiti, no Chile e na Turquia, disseram ontem sismólogos. Segundo os cientistas, apesar de um forte terremoto ter potencial para aumentar o risco de movimentos telúricos em outros lugares, a recente série de abalos sísmicos é provavelmente coincidência. As catástrofes, assinalaram os peritos, demonstram como a urbanização de áreas situadas sobre falhas geológicas são capazes de provocar mortes em massa.

`Posso afirmar que o mundo não está acabando`, disse Bob Holdsworth, um especialista em placas tectônicas da Universidade de Durham. O sismólogo do Real Instituto Meteorológico dos Países Baixos, Bernard Doft, assegurou que não há nenhuma conexão direta entre os recentes terremotos. `Esses acontecimentos estão muito distantes para que haja influência direta de um sobre outro`, observou.

Correio do Povo

Notícia internacional - Militante preso não é porta-voz do terror

Islamabad - O norte-americano capturado recentemente em Karachi, no Paquistão, não é Adam Gadahn, porta-voz da Al-Qaeda, disseram ontem funcionários paquistaneses. Gadahn, 31 anos, aparece em vídeos da Al-Qaeda ameaçando o Ocidente desde 2001. Autoridades de Islamabad informaram que houve um erro de identificação e que o homem detido é Abu Yahya Majadin Adam, nome semelhante ao que aparece no site do FBI como um dos apelidos de Gadahn. `A semelhança do nome causou a confusão, mas agora eles concluíram que não se trata dele`, disse um funcionário da inteligência que, como os agentes, falou em condição de anonimato.

Correio do Povo



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